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ETEL, MOBILÁRIO BRASILEIRO

Um século de mobiliário brasileiro forma a Coleção de Design. Com seu trabalho pioneiro de reedições, a ETEL dá nova luz a desenhos primorosos da produção moderna no Brasil, descoberta tardiamente e hoje considerada uma das mais relevantes do período no mundo. Uma produção caracterizada pelo fazer artesanal e o uso de matérias-primas preciosas, criada por arquitetos e artistas empenhados em evidenciar a cultura local sob a influência das vanguardas internacionais. O resgate é baseado em metodologia rigorosa, fidelidade aos originais e intenso diálogo com institutos e famílias que representam as obras. Compõem a coleção, curada por Lissa Carmona, peças de Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Jorge Zalszupin, Sergio Rodrigues, Oswaldo Bratke, Branco & Preto e Giuseppe Scapinelli, entre outros. A continuidade do legado moderno se dá por preeminentes criadores contemporâneos, entre eles Isay Weinfeld, Arthur de Mattos Casas, Claudia Moreira Salles, Carlos Motta, Etel Carmona, Lia Siqueira e Dado Castello Branco.

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Mais de 50 anos se passaram desde o apogeu criativo e comercial do móvel moderno no Brasil.

Produzido inicialmente por artistas e arquitetos, o design de móveis do período tem origem no pensamento multidisciplinar comum aos modernistas, inspirados pela adequação necessária a uma nova arquitetura e, mais que isso, a uma nova visão de mundo que se consolidava e precisava ser refletida também nos ambientes públicos e domésticos. Observado este contexto com o devido distanciamento histórico, a análise mais realista, interessante e mesmo comovente do tema nos conduz às trajetórias pessoais dos designers que nos deixaram este patrimônio material. Homens e mulheres de seu tempo, cada qual com sua inserção específica na atividade, com suas formas de lidar com todo este contexto – bem mais complexo e cheio de matizes quando se trata da vida vivida –, com sua capacidade empreendedora, suas reflexões e seu vigor criativo. Alguns com contribuições pontuais, outros com uma vida dedicada ao mobiliário, estendendo a produção “moderna” até dias recentes. Histórias que se cruzam, se integram e se diferenciam, nos permitindo uma visão ainda mais inspiradora sobre o conjunto de sua obra.

Apesar de haver iniciativas, elas eram esparsas e não foram suficientes para que a indústria brasileira pudesse absorver os profissionais recém-formados.

Muitos designers optaram, então, por trilhar um caminho solitário, buscando pequenos produtores e canais de venda, ou abrindo suas próprias empresas. Poucos, no entanto, deram continuidade ao sucesso de produções pontuais. A arquitetura, por outro lado, encontrou meios de se desenvolver, devido às raízes mais fortes deixadas pelos arquitetos modernos e sua atuação não apenas prática, mas teórica e crítica.

O caminho tortuoso do desenvolvimento do design no Brasil, todavia, refletiu de forma positiva na arte. A independência do mercado permitiu aos designers uma diversidade de caminhos. Intensifica-se a busca de uma linguagem genuinamente brasileira, enraizada em nossa cultura mestiça. O leque empobrecido de materiais industrializados voltado para a fabricação do móvel foi também um fator decisivo da formação da primeira leva de designers contemporâneos. Alguns optaram pelo alicerce da marcenaria tradicional já explorada pelo móvel moderno, inscrevendo-se na linhagem que teve seu apogeu na década de 1950 – é o caso de Carlos Motta, Claudia Moreira Salles e Etel Carmona. Para outros, como os Irmãos Campana, a escassez impulsionou o gesto duchampiano de utilizar materiais triviais pré-fabricados, em uma estética do improviso e do aproveitamento, muito característica da cultura material brasileira. É notável também o resgate de tradições e matérias-primas vernaculares, por meio do trabalho conjunto entre designers e artesãos em todo o país, e o diálogo com as artes visuais. Outros autores de grande representatividade do design contemporâneo são os arquitetos brasileiros, autores de uma obra celebrada mundialmente, que concilia os ditames modernos com o conforto, a despretensão e a elegância fácil do traço.